quarta-feira, novembro 05, 2008
o homem das cores concretas
quinta-feira, outubro 16, 2008
sábado, agosto 23, 2008
da exposição e outros demônios
domingo, agosto 10, 2008
salvação
ofensiva
quarta-feira, junho 25, 2008
para bia
O que esses olhos viam eram apenas contornos. O que esses grandes olhos sentiam era inexpremível a olho nu. Era uma segunda natureza, um olhar de raio x que atravessa o que é visto. Ela era dessas pessoas que estão junto de ti e no segundo seguinte já foram, não estão mais. Havia nela um vazio que nem ela alcançava. Quem quisesse mergulhar nos seus olhos de jabuticaba, teria de se esquecer de si. Eram olhos tristes. Olhos enevoados, formados por minúsculas partículas de água. Olhos em suspensão, prontos para o sumiço repentino. Porque em silêncio, a qualquer momento, a dona desses olhos olhava para dentro e desaparecia. Tinha um pé de jabuticaba dentro de si. E pra lá ia, dentro dela mesma em usufruto próprio a chupar jabuticabas. Suas frutas em botão.
quarta-feira, abril 30, 2008
roma
Gostava de imaginar o que aquele super-ser faria quando a dúvida aparecia.
Às vezes, agia como quem esconde de si sua parte mais concisa e competente. Para aquela parte dela que em nada excedia, o mundo estava extremamente justo e de acordo. O desafio estava em se deixar guiar, cada vez mais, por essa inteireza. Abrir mão do que, um dia, disseram ser ela.
Fácil era abrir mão das fantasias alheias sobre o que ela seria. Difícil era destruir forma e conteúdo do que ela própria construiu para si; e se contentar em ser a grande ruína dela mesma. E seria tão bela, como belas são as ruínas de outras civilizações. Talvez mais belas e mais genuínas do que foram em atividade, mas agora com a austeridade própria das coisas que permanecem.
os outros
sexta-feira, abril 25, 2008
maneirismo
criação
terça-feira, abril 01, 2008
profissão de fé
quinta-feira, março 27, 2008
troca de pele
Agora sinto você perto de mim e me dá medo. Sei que aceitou a proposta e que chegará no próximo táxi amarelo. Também sei que não se vive uma vida assim impunemente: a comer bananas adocicadas com canela em plena segunda-feira à tarde. Bananas têm mistérios das savanas. E tardes... bem, as tardes são nossos horários prediletos, não é minha dileta amiga?
anonimato
domingo, março 16, 2008
auto ajuda
me, mi, comigo
quinta-feira, março 13, 2008
mal-do-século
a minha voz
segunda-feira, março 03, 2008
estória de princesa para crianças-meninas (meninos também podem ler e não tenham pudor em gostar)
Nunca respondia por si. Quando achava que dizia algo próprio, tinha por de trás os raios do Sol e a luz da Lua a lhe imprimir ritmo e magia.
Se tinha pesadelo, o Sol ou a Lua vinham lhe acalentar.
Uma vez, deu de andar na rua. Voltando pra casa, na ausência do Sol e da Lua, sua pele toda empipocada pedia algodão com água fresca. Tinha alergia de andar sozinha.
Sendo filha do Sol e da Lua, tinha encantos e anéis de saturno.
O tempo passou para a filha do Sol e da Lua. Passou. Passou. E, sem saber que o amanhecer chegaria naquele dia, ela abriu todas as janelas. Sendo filha do Sol e da Lua, tinha poderes e aleluias. Só não sabia. Determinou que não teria alergia, saiu só e maravilhas: mais fortes eram os dons da filha do Sol com a Lua. Só que ela não podia imaginar no meio da escuridão e confusão que eram razão do encontro do Sol com a Lua. Era esplendoroso estar sozinha, escolher se para a direita ou para a esquerda. Desprotegidamente protegida por ela mesma. Sendo ela inteira, era cada vez mais parte do Sol e da Lua, mas se bastava sozinha.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
a festa do jardim
o caderno dos sonhos
domingo, fevereiro 03, 2008
do viver para morrer e vice-versa e versa-vice
Eu instantaneamente, como faço a 29 anos ao ouvir a palavra morte, bati 3 vezes na madeira. Buda, gordo como um rei momo, sorriu e me disse: A morte é um espelho que reflete vida. Eu, então, pensei: pobre de mim, brasileira de mão cheia, tão distanciada de mim mesma.
Sentei, então, uma tarde e uma noite em "Yoga mudra", a postura em que Buda atingiu a iluminação. E meditei... Meditei, meditei, meditei, me editei. Vi contas a pagar, louça pra lavar, a borracha do para brisas que tá na hora de trocar, luzes, ondulações, vontade de fazer xixi, perna dormindo, bebê sendo parido, meu pedaço de madeira para isolar as besteiras, arroz com feijão, espaço vazio, dor, prazer, tesãozinho, Caetano Veloso cantando "Leãozinho", beijei todos os seres, espaço vazio, branco, branco, branco, branco e o Buda-momo sorriu.
Saindo da estante da minha avó, lá escondidinho entre santos e orações, o Buda-momo dourado, sentado em notas de dinheiro (para que nunca faltasse, dizia minha avó) foi crescendo, virou luz e deitou no meu colo. Ninei o Buda por uma manhã, duas tardes e uma noite. Questionava o coitado: sou filha de comunista, minha avó é benzedeira, minha mãe sabe de tudo do que está oculto e morre de medo. Se só a prática espiritual ajuda a compreender e encarar a morte, dando um significado real para a vida, e para a própria morte, como posso agir? Viro monja no Tibete ou sento praça em Taubaté? As duas coisas? Ou não? Se é que você me entende parceiro...
Buda dessa vez não sorriu e eu fiquei insegura. Não agradei. Ele, então, se desmaterializou. Virou um peixe e me ensinou o Yoga (foi generoso e me mostrou o Hatha e o Ashtanga Yoga). Depois que estava cansda e suada, voltou em forma de rã e me apresentou Pedro San, o massagista. Mais tarde, quando já tinha meus ossos vivificados pelo amor do massagista; Buda me apontou uma estrada que levava a Miguel Pereira. Lá pude ver as coisas como elas realmente são, em silêncio profundo e harmonia com os insetos. Buda se transmutou novamente e virou uma colher de pau e como misturava os alimentos!
Foi me instruindo por dias a fio e eu entendi: o hábito faz o monge, como já dizia outro iluminado, Mr. William Shakespeare.
Evoé, grande Buda! Namastê, sir William.
sábado, fevereiro 02, 2008
sábado, janeiro 26, 2008
kindergarten
Seu nome era Jael, tinha finos cabelos loiros e olhos de um azul brilhante, como não poderia deixar de ser.
Ela estava no kindergarten na manhã em que eu cheguei à sua casa para permanecer ali por mais sete dias. No começo me estranhou. Acusava-me de ler os livros da mãe dela, de me sentar e dormir na casa dela. Eu tentava me comunicar. Sua língua era um alemão dadaísta que eu tampouco compreendia. Buscava um sorriso e nada, seu olhar de acusação permanecia.
Na noite do primeiro dia, enquanto jantávamos, resolvi pegar em sua mão. Ela aceitou e de mãos dadas percorremos toda extensão da pequena casa em que estávamos até chegarmos à caixa de lápis de cor. Ela, então, me deu papel para que nós duas desenhássemos. E assim fizemos até o momento em que ela foi dormir. Naquele ponto ela já tinha entendido que eu era uma amiga diferente, literalmente de outro país.
Desenharmos juntas nos fez companheiras. Então Jael, me levava para onde ia. Trazia livros de histórias para que eu lesse. Eu as contava em português e ela ouvia atenciosamente. Um dia como que por milagre perguntei: "cadê o gato?". Inesperadamente, ela apontou para o lugar exato do livro onde o gato estava e me fez compreender que entre nós havia outra língua sendo dita e sentida.
Todas as manhã, ela me acordava com um longo abraço. Mexia na minha corrente cheia de amuletos e me pedia coisas, em alemão. Eu realizava o que intuía e assim fomos nos dando muito bem.
Um dia ela me pediu algo que não compreendi. Ela, então, pediu à sua mãe que me explicasse; queria que eu a levasse ao kindergarten. Lá fui eu. Jael entrou muito excitada na sala de aula, começou a chamar todos os colegas e lá me apresentou para todos. Eu era o brinquedo que ela acabara de ganhar, um brinquedo muito diferente. Tive de ir embora e ela ficou frustrada. Mesmo assim me deu um beijo de despedida.
Voltar da escola significava, para ela, voltar pra mim. E eu confesso que ansiava também por sua volta. De tanto chamá-la de "coisa linda", no aeroporto, quando partia, foi assim que ela me disse adeus, coisa linda! E então, no sétimo dia, Deus inventou a linguagem do coração.
E eu chorei e sorri.
sábado, dezembro 22, 2007
crua
rascunhos
Eu vi um espetáculo que falava dela. 02/12/07
Buena dicha. 21/07/07
Comprei um chapéu vermelho no centro da cidade. 04/03/07
quarta-feira, dezembro 05, 2007
canção dos 17
Hoje precisando gastar energia fui me consumindo e querendo dançar no corpo dos outros. Lembrei da minha canção dos 17 e de como comemorei meu aniversário de 17 anos no dia 17. Lembrei que meu pai me deu 17 rosas vermelhas. E de como eu não queria que meu namorado de quando tinha 17 anos, estivesse presente na minha festa de 17 anos. Não cabia um outro homem senão o que me salvaria, o que me redimiria. Mas ele foi, comeu um pedaço do bolo de maracujá e não me redimiu. Ainda hoje acredito que um homem me redimirá. Sei que não é possível, mas lá bem longe onde meu peito canta a minha canção dos 17 espero o meu salvador.
Hoje precisava gastar energia como cão que fica trancafiado dentro de casa. Saí a rua e meu maior ato de violência possível foi pisotear uma bexiga branca que estava abandonada na rua.
sexta-feira, novembro 30, 2007
sobremesas afetivas
Porque pudim de leite e pinholata são fundamentais! Parte do meu legado familiar e ninguém faz como elas.
Lambuzarei meus dedos e minh' alma com prazer e devoção! Amém avós! No Natal me permitirei ter esperança e um gosto doce na boca. No dia em que o Cristo nasceu a esperança de amor e paz entre os homens se renova também, e é doce como doce de vó.
clarice lispector
quinta-feira, novembro 29, 2007
domingo, novembro 25, 2007
água viva
Cresceu e foi morar numa casa amarela. Os três primeiros anos de morada foram repletos de acidentes que destruiram pintura de parede e a estante de livros: era a chuva que furava a barreira das portas e alcançava o interior da tal casa amarela, a banheira que vazava água pelos azulejos, o filtro de água que fazia música com o respingar das gotas, além das infinitas mangueiras quebradas pela violência com que a água pedia pra sair naquela casa.
Nos últimos tempos, como se não bastasse, deu pra sonhar com alagamentos. Sonhava que vivia numa terra-oceano, onde em horror e devaneio sua pele virava escama. Acordava assustada e ia tomar banho. Limpava com dedicação cada pedacinho de seu corpo. Tomava então um copo d' água e tentava desesperadamente voltar a dormir.
Esse quase-conto não tem fim porque essa mulher sou eu. E acaba de acordar de mais um aguaceiro. Clamo por ajuda e peço auxílio dos bombeiros pois o homem que dorme ao meu lado, o mesmo que um dia em criança quase incendiou a área de serviço do apartamento de seus pais, sonha nesse instante com chamas e labaredas.
domingo, novembro 18, 2007
prosopopéia
adolescentes
Ela: (risos). Acho que não tem quase nada meu que você não saiba. Sem graça, né?
Ele: Dúvido.
Ela: Hum...
Ele: Vai.
Ela: Já sei.
Ele: Conta!
Ela: Era dramática quando pequena, me escondia na cozinha pra experimentar me matar com faca de requeijão.
Ele: Ninguém experimenta se matar. É mata ou não mata.
Ela: Eu experimentava, não era uma tentativa séria e nem eu era uma criança suicida. Porque a gente é da vida, né? Mas queria ver o que aconteceria se eu morresse.
Ele: Mas você não morria e o que acontecia?
Ela: Ficava com medo de mim.
Ele: Eu sempre me imaginava morto. Me via no túmulo e toda minha família ao redor chorando por mim.
Ela: Quando eu tava na quinta série, minha amiga Júlia sonhou que eu morria e que só ela ia no meu enterro. Nunca esqueci disso.
Ele: Nunca tentei me matar e acho esse tema cansativo. Viadagem.
Ela: Mas tem gente que sofre de verdade.
Eles: (silêncio)
Ela: Agora você, um segredo que eu não saiba.
Ele: De verdade? Você vai achar que já disse isso mil vezes e que não é segredo, mas desse jeito crescente...
Ela: Fala.
Ele: Eu te amo e é agora.
quinta-feira, novembro 15, 2007
cravou o punhal no coração do inimigo
Então, sonhei que retornava a minha terra natal e que lá, em praça pública, travava um duelo de facas e lanças. Eram 2 contra 2. Um homem estava ao meu lado e lutava comigo contra aquela espécie de coronel do agreste, acompanhado de seu capanga. Era agressiva. Tinha medo e coragem. Matava aquele bicho-homem que me acompanha só por me chamarem como me chamam, Gabriela. E ter o cheiro de cravo e a cor da canela.
terça-feira, novembro 06, 2007
dengo
sábado, novembro 03, 2007
déjà vu
sábado, outubro 13, 2007
borgia
Gabriela mais Cordaro do que nunca.
terça-feira, agosto 28, 2007
o pé
carandage
Uma vez um homem bronco olhou a caixa e, com desdém e mau humor, fez pouco das cores e dos lápis da menina: "Pra que tantos, uns 10 lápis já nao seriam suficientes?". A menina não gostou e saiu de perto daquele homem. Muitos anos depois, a resposta se faria e engasgada sairia do coração da menina: "Servem para pintar os campos de girassóis e trigo de Espanha. E a matiz é aquela que vai do verde ao amarelo e são infinitas as delicadezas de cores de campos tão áridos e a possibilidade de brotar coisa mais viva como um girassol".
Para minha irmã Juliana, com amor e saudade.
segunda-feira, agosto 06, 2007
brahma, vishnu e shiva
Sevilla. Plaza de España.
quarta-feira, agosto 01, 2007
requena
duende
recuerdo
domingo, julho 29, 2007
domingo, julho 15, 2007
o que tinha de ser
véspera
sexta-feira, julho 13, 2007
quinta-feira, julho 12, 2007
quarta-feira, julho 11, 2007
segunda-feira, julho 09, 2007
"torvelinhai, torrentes do ar"
domingo, julho 08, 2007
cor-de-rosa antigo
Percebeu que, por pura falta de entendimento, prendeu a alma de uma pessoa à sua vida. Era novinha e aprisionou a alma de um homem à sua. Julgava que ele fosse seu. Não era. Era outro o seu homem. Escreveu, então, um bilhete. Dobrou-o bem dobradinho e deixou-o no banco do metrô.
Mais tarde alguém lia:
"Te liberto para seres o que és. Exatamente do teu tamanho. E desejo sorte".
De qualquer forma a mensagem teve serventia.
sexta-feira, julho 06, 2007
teste
Era uma vida sem volta. Cada escolha, um salto pra novidade.
Era uma vida de ficar esquecido no teleférico no meio da neve como uma vez me contaram. A neve cortava seus lábios ressecados e o teléferico se fazia parado para que uma atitude fosse tomada. Era um salto sobre as montanhas geladas. O risco de cair num pedaço de rio congelado e se tornar geleira para todo o sempre. Era como encontrar um alfinete no fundo da gaveta quando se precisa dele, essa era a vida daquele homem.
Esquecido no teleférico, esquecido no dia-a-dia. Como se com esses pequenos e fatais acontecimentos, ele tivesse que lembrar à natureza a todo instante que também existia. Existia e sua trivialidade se fazia de dias extraordinários. A inconseqüência era comum a ele, mas ele mesmo não era inconseqüente.
Como se ali, parado e quase congelado, tivesse que provar e merecer sua existência. Seus dias eram de encontros perigosos com leões ferozes a toda hora. Sabia manter a calma, não se assombrava, tudo aquilo fazia parte de sua condição nunca antes imaginada.
Ali, sozinho, a escuridão chegou. E a neve, cada vez mais espessa o provocava para que fizesse alguma coisa. Ele fechou os olhos e se preparou para saltar em direção ao inesperado.
Do céu se ouviu então uma imensa gargalhada de um deus gordo e espirituoso. E a noite se fez dia e a imobilidade do teleférico se fez movimento. Agora, deus celebraria seu filho com uma grande taça de vinho.
quarta-feira, julho 04, 2007
método
segunda-feira, julho 02, 2007
omaggio
Bandiera nera la vogliamo: No!
Perché l’é il simbolo della galera
Bandiera nera la vogliamo: No!
Bandiera bianca la vogliamo: No!
Perché l’é il simbolo dell’ignoranza
Bandiera bianca la vogliamo: No!
Bandiera rossa la vogliamo: Si!
Perché l’é il simbolo della riscossa
Bandiera rossa la vogliamo: Si!
Avanti popolo alla riscossa!
sábado, junho 16, 2007
mentora
o livro das mutações
sexta-feira, junho 15, 2007
nome duplo
argila
segunda-feira, junho 11, 2007
11 de junho
par
Ela era só. E sabia que os ouvido são onipresentes. Ouvidos não têm escolha, não se fecham como os olhos ou como a boca. Então, ela ouvia. Ouvia sobre livros, filmes, músicas e esportes.
Eram a perfeição.
verbo
sexta-feira, junho 08, 2007
corpo do texto
Quero escrever como quem dança e dançar como quem escreve.
terça-feira, junho 05, 2007
"acordei que sonhava"
segunda-feira, junho 04, 2007
carta a uma pessoa querida
intrépido garçom
journey in satchidananda
sábado, junho 02, 2007
menina azul
É só clicar que ela aparece.
impressionismo
sexta-feira, junho 01, 2007
minha avó é uma sereia
Ir a casa dela era fácil e eu adorava. Podia chegar lá sozinha sem interferência de pai ou mãe. E passava lá quase todas as tardes. Ela deixava (e ainda deixa) que eu mexesse em suas bijuterias, perfumes e, por vezes, até abria seu território sagrado, onde ficavam muito bem guardados os casacos de pele de minha bisavó.
Minha Julieta (esse é o nome dela) é das pessoas mais vidosas que conheço e quando minha mãe era pequena, era dona de um salão de beleza que funcionava em sua própria casa mesmo.
Nas tardes em que passavamos juntas, vez por outra, ela pegava a tesoura e cortava um pouquinho meu cabelo. Minhas visitas eram frequentes e para desespero de minha mãe, os cortes também! Uma franjinha aqui, uma costeleta acolá, uns três dedinhos a menos, um curto radical e minha vida capilar era a mais movimentada dos meios infantis por onde andava.
quinta-feira, maio 31, 2007
breve saberás
ilustre (des)conhecido
ilustre desconhecido
segunda-feira, maio 28, 2007
experimento cientifico
Rasgada assim, gosto do que vejo.
sábado, maio 05, 2007
quarta-feira, abril 18, 2007
dona benta
Amigas, sei que vocês também são aflitas e que às vezes o frango queima também.
sábado, abril 14, 2007
norma jean baker
Falta de habilidade.
Ofereço dúvidas.
Este não texto tem vontade de se expor. Obedeço. Mas peço desculpas, porque ainda quero que gastes teu tempo comigo. Minha fragilidade se faz e desfaz em desculpas. Na verdade, queria mesmo ser Marilyn Monroe.
Embora saiba que mesmo Marilyn, era no fundo Norma Jean Baker.
domingo, abril 01, 2007
quarta-feira, março 21, 2007
cuspirei sangue
agridoce
Já foi, e ainda é, em parte, bailarina de bolo de aniversário. Mas a bailarina segura, lá no fundo, uma serra elétrica que tira sangue de quem passar pelo seu caminho.
quinta-feira, março 15, 2007
sábado, março 10, 2007
aurélio
Tantos significados bonitos! Torpor, por exemplo, pode significar "indiferença ou inércia moral" e ainda "ausência de resposta a estínulos comuns".
Aurélio, i love you!
nó
quarta-feira, março 07, 2007
não sei
Um "não sei" sem olhar para trás e sem medo do que um "não sei" possa causar.
terça-feira, março 06, 2007
segunda-feira, março 05, 2007
giuseppe
cabeça feita
o homem mais misterioso do mundo
Logo descobri que gostar de Chaplin era uma maneira de me aproximar dele, então ria alto com as trapalhadas de Carlitos para que todos, e principalmente ele, soubessem que o programa também me agradava.
Lembro que no último Natal que passamos juntos, ele rompeu a barreira de seu solene silêncio, e dançou break por horas a fio.
Detalhes que contam quem era meu avô: ele tinha um despertador vermelho e uma estátua de um menino jornaleiro, não tirava seu roupão azul-marinho, torcia para o Palmeiras e desenhava muito bem.
Minha avó fazia deliciosas comidas para festejar meu avô. Íamos sempre almoçar na casa deles e para beber tinha sempre água tônica, que eu detestava e achava uma bebida fracassada. Meu pensamento de criança não concebia que um quase-refrigerante-de-adulto fosse tão sem graça e sem gosto!
Um dia, numa manhã de final de semana, meu pai chegou abatido e disse que o "vovô Tó" tinha morrido. Ouvi a informação sem muito entender e voltei a brincar. Só que a partir daquele dia, a brincadeira mudou, brincava de procurar meu avô pelas ruas por onde passava. Nisso não havia morbidez, era um pensamento simples e objetivo: precisava encontrar meu avô que tinha desaparecido. E nessa procura havia o pragmatismo de uma criança com um forte objetivo.
Só o encontrei anos mais tarde reassistindo aos filmes de Chaplin. Aliás, tenho até hoje a sensação infantil de que meu avô é o próprio Charlie Chaplin.
domingo, março 04, 2007
anunciação
A rua de sua nova casa era casualmente a mesma em que, sete anos antes, quase fora atropelada.
Outra vez ficara presa num elevador por mais de duas horas. Um ano depois aquele mesmo elevador tornou-se trivial, o meio de chegar ao apartamento 51, onde morava M. P.
Um dia teve uma vontade repentina de comprar um cacho de bananas na Rua do Ouvidor. Essa vontade soou-lhe estranha, morava sozinha e jamais conseguiria comer tudo aquilo. Com a carteira na mão, prestes a pagar pelo cacho, foi roubada. Teve medo; percebeu o que ocorria.
A partir daquele dia, toda vez que passava pela Rua do Ouvidor, observava cuidadosamente o chão por onde seguia e desviava com destreza de cascas de banana.



