Não sabia o que pedir. Inspirou rápido e conciso. Nó na garganta e paura de fazer o pedido errado.
Sempre ficava nervosa em meio a pequenos rituais de datas comemorativas. Não a ensinaram a ter fé. Sua natureza supersticiosa fazia com que esses momentos de desejar correto lhe fossem doídos. Tinha medo. Medo do futuro. Medo da inveja alheia. Medo de perder o que lhe era querido. No meio da multidão ocupada com seus desejos, percebeu: desejava o destemor, a doce entrega de quem tem fé - a fé, quase cega, de que o melhor viria. Pediu, com o coração batendo forte, que sua alma se realizasse sem medo de perder a plenitude.
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